Cristianismo e Vaishnavismo

                        Cristianismo e vaishnavismo - por Srila B.R.Sridhar Goswami

      Cristão: O senhor poderia explicar o ponto-de-vista Vaisnava acerca do Cristianismo?   

      Sridhara Mahãrãja: O Cristianismo é Vaisnavismo incompleto; não plenamente desenvolvido, mas a base do teísmo devocional. Encontramos o princípio "morrer para viver" até certo ponto, pelo menos fisicamente. Os Cristãos dizem que o ideal mostrado por Jesus é auto-sacrifício. Em nossa consideração. entretanto, isso não é teísmo plenamente desenvolvido. mas apenas a base. É um conceito pouco claro, vago, da Divindade: "Somos para Ele." Mas quanto? E em que forma. em que atitude? Todas essas coisas não são explicadas e não são claras no Cristianismo. Tudo é nublado. como que visto à distancia. Não assume qualquer forma apropriada. A cobertura não é plenamente removida. a ponto de permitir-nos chegar face à face com o objeto de nosso serviço. Há o conceito de serviço a Deus. bem como um forte ímpeto para alcançá-lo; assim. a base é boa. mas a estrutura sobre o alicerce é opaca, vaga e imperfeita.

Cristão: Os Cristãos gostam da idéia de rendição, serviço e entrega de tudo a Deus
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 Sridhara Mahãrãja: Sim, isto é comum. Mas, rendição a quem? Cristão: Os Cristãos dizem que Jesus é o único caminho. Sridhara Mahãrãja: Sim, e seu caminho é "morrer para viver", mas para que? Qual é a conquista positiva? Qual é nossa ocupação positiva no serviço ao Senhor? Devemos não apenas nos submeter em agradecimento à autoridade máxima, mas devemos ter uma ligação direta com Ele, bem como ocupação cem- por-cento em Seu serviço. Simplesmente caminhar por nós mesmos, orando, "Oh, Deus, dai-nos nosso pão!" e ir à igreja uma vez por semana não é suficiente. Vinte e quatro horas de ocupação é possível no teísmo completo. Deus pode nos ocupar vinte e quatro horas por dia. Devemos alcançar esta posição - plena ocupação com Ele. Tudo mais é subordinado a esta posição.

Cristão: Existem algumas tradições cristãs que são muito semelhantes à consciência de Krsna.
                                                                                                                       Sridhara Mahãrãja: Elas são muito afins em sua base. Concordamos que devemos sacrificar tudo por Deus. Mas, quem é Ele? E quem sou eu? E qual é nossa relação? O Cristianismo nos dá apenas uma concepção nublada. Na concepção Cristã, quando Adão e Eva eram entregues, eles não tinham problemas na vida. Mas então provaram o fruto da árvore do conhecimento, cálculo de interesse próprio, e caíram, sendo forçados a viver uma vida de trabalho. Somente uma idéia geral de nossa relação com Deus é dada ali, mas quando temos que definir detalhadamente as características de Deus, e em que relações devemos dEle nos aproximar, o Cristianismo dá-nos apenas uma idéia opaca.
Certa vez alguns sacerdotes Cristãos disseram a nosso guru mahãrãja que mãdhurya rasa, relação conjugal com Deus, também se encontra no Cristianismo. Na Idade Média havia uma moda entre os Cristãos de considerar Cristo como noivo, e também há uma parábola em que o Senhor Jesus Cristo é considerado como um noivo. Assim, eles disseram que mãdhurya rasa, a relação conjugal, também se encontra dentro do Cristianismo. Prabhupãda disse-lhes. "Isto é com Seu filho, com Seu devoto, não com Deus ". Filho significaguru, o libertador.

PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO
                                                                         A concepção que eles tem de Deus é a Trindade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. 0 Espírito Santo talvez seja considerado como tendo a posição mais elevada. Se for assim. então Cristianismo termina em brahmavãda nirvisesa. Entende? Cristão: Sim Creio que o senhor explicou antes que Brahman significa o as~ impessoal da existência de Deus
                                                                                                                              Sridhar Mahãrãja: Deus-Pai significa-Deus, o criador. Deus-Filho significa o guru. E Deus Espírito-Santo talvez mantenha a posição suprema no Cristianismo: acima da concepção de Pai e da concepção de Filho. Sendo este o caso, então a compreensão deles vai ao Brahman impessoal.
Certa vez disseram-me que, em um drama na Alemanha, tinham que mostrar a figura de Deus, e assim, em alguma posição elevada sobre um balcão, puseram uma figura de natureza grave, com uma barba cinzenta, dando ordens dali. Deus, o Pai, era mostrado daquela maneira. Esta é a idéia deles: a Paternidade de Deus, barba cinzenta, um velho como Deus. Mas a partir da consideração de rasa e
ãnanda, êxtase, Deus deve ser o centro de todas as diferentes relações, incluindo amor filial e amor conjugal.  Conceber Deus como nosso Pai é urna compreensão incompleta, pois país também são servos. Ele tem que estar no centro; não na extremidade do todo. Ele não está simplesmente observando o todo; o conceito de Krsna é que Deus está no centro. De todas as aproximações de Deus, a aproximação para uma relação amorosa é suprema. A intensidade desta relação deve ser considerada. e Deus deve estar no centro de todas relações amorosas. Ãnandam brãhmano vidvãn.
Ananda é a coisa mais preciosa jamais descoberta. E a plena' representação da Ãnanda mais elevada deve ser considerada como o absoluto máximo que pode atrair a todos: não por poder, não por força. mas por encanto. 0 centro de toda atração é Krsna Sua atração se faz pela beleza, pelo encanto, e pelo amor; e não por coação e força. Essa é a concepção Krsna da Divindade.

Cristão: Os Cristãos temem ir além de Jesus, porque Jesus nos advertiu quanto a enganadores.
                                                                                                                           Sridhara Mahãrãja: Não estou falando sobre os cristãos; estou falando sobre Jesus, que deu os ideais do Cristianismo. Estou falando sobre os princípios de Jesus. Ele deu alguma compreensão em prestações, mas não pleno conhecimento, Concordamos sobre a forte base de teísmo. Jesus foi crucificado porque disse, "Tudo pertence ao meu Pai. Dai a César o que é de César. e a Deus o que é Seu". Assim, a base é muito boa; é louvável. mas é apenas a primeira prestação na concepção teísta. Quem é meu Senhor? Qual é Sua natureza? Quem sou eu? 0 que é o meu eu interior, e qual é minha conexão com Ele? Como posso viver continuamente em Sua lembrança e serviço? A concepção de que nos destinamos a Ele, somos designados e feitos para Ele, é louvável, mas tem que ser esclarecida. Devemos alcançar a posição mais elevada. Todas essas coisas estão ausentes no Cristianismo. Apenas o sacrifício pelo Senhor é dado, e isso está bem, é a necessidade básica da alma. Mas, após isto, o que deve ser alcançado? Eles ficam silenciosos.

Cristão: Eles temem ir além de Jesus.

Sridhara Mahãrãja: Sim, mas existe tanta graça, tanto amor na divindade que Deus pode sentar-se em nosso colo e abraçar-nos. Uma ligação muito mais íntima é revelada no Vaisnavismo. Mas se tememos ultrapassar o conselho fundamental de Jesus, então nos tornamossahajiyas (imitadores). Devemos arriscar tudo pelo nosso Senhor e devemos tornar firme nossa posição em Seu serviço. Devemos morrer para viver . E o que está vivendo? Temos que analisar o que é vida real. E se, sem morrer, queremos arrastar Deus para nosso jogo carnal, então nos tornamossahajiyas imitadores.
Devemos ultrapassar o umbral dado por Jesus. Ele declarou, "Morrer para viver". A companhia do Senhor é tão valiosa para nós que devemos arriscar tudo por Ele.  Esta conquista material não é nada; é tudo veneno. Não devemos sentir atração por ela. Devemos estar prontos para deixar tudo, todas nossas perspectivas e aspirações materiais, incluindo nosso corpo, por Ele. Deus é grande. Mas qual é Sua grandeza? Qual é minha posição? Como posso me ocupar em Seu Serviço, vinte-e-quatro horas por dia? Aqui, Jesus silencia.
Não recebemos programas específicos dos Cristãos neste estágio, e assim, vem o Vaisnavismo para o alívio de nosso coração, para satisfazer nossa necessidade interior, qualquer que ela seja. Nossa sede interior será satisfeita aqui. Você pode ser consciente ou inconsciente de muitas demandas dentro de si. mas elas terão plena satisfação em sua mais bela forma apenas ali. Não é que de algum lugar distante mostraremos a Deus alguma saudação reverencial, mas podemos tê-lo de uma maneira muito íntima. 0 ideal de uma conexão amorosa íntima com Deus é dado pelo Vaisnavismo. especialmente por Sri Caitanya Mahãprabhu, pelo Srimad-Bhagavatam, e em Vrndãvana, a terra de Krsna.
O sentimento de possuir qualquer coisa aqui no mundo material não pode ser real; é um reflexo pervertido, mas este sentimento tem que estar presente no mundo original, caso contrário qual é sua origem? De onde surgem os diferentes sentimentos de necessidade dentro de nós? Eles devem estar presentes no mundo causal, pois tudo emana de Krsna. Assim, o anseio de cada átomo de nosso corpo, mente e alma receberá sua maior satisfação ali. Essa compreensão é dada pelo Vaisnavismo, por Sri Caitanya Mahãprabhu, pelo Srimad-Bhagavatam e por Krsna na Bhagavad-gita.

Cristão: Já ouvi falar da Bhagavad-gita. Qual é a história de sua origem?

Sridhara Mahãrãja: Na Bhagavad-gita, Krsna diz a Arjuna, "O que estou te
dizendo agora não é coisa nova: já disse isto a Surya, o deus-do-sol, e ele transmitiu a Manu, o pai da humanidade. Desta maneira, este conhecimento desceu em sucessão discipular, e pela influência do tempo foi interrompido. Novamente, estou repetindo-te este antigo conhecimento".
Isso se refere a Karma-yoga: "Não se importe com o resultado, bom ou mau;
continue com seu dever. Então pode ter paz geral em sua mente."
Cristão: Qual é a mensagem da Bhagavad-gita?
Sridhara Mahãrãja: Existem diferentes estágios de educação transmitidos na
Bhagavad-gitã: bhakti-yoga,karma-yoga,jñãna-yoga,astãnga-yoga,tantas diferentes camadas de teísmo. mas o teísmo devocional puro começa onde Krsna diz, sarva dharman parityajya: "Abandona tuas afinidades por todas outras atividades, religiosas ou irreligiosas, e rende-te completamente a Mim. Não temes.


   Para ler o livro completo basta digitar  no google   "A busca por Sri Krishna, a realidade , o belo."





                                                  Unidade na diversidade


Extraído do livro "O Bhagavat" de Srila Bhaktivinod Thakur


  Amamos ler um livro que nunca havíamos lido antes. Ficamos ansiosos em obter qualquer informação nele contida. E com tal obtenção feita, nossa curiosidade cessa. Este espírito de estudo prevalece entre um grande número de leitores que são grandes homens em sua própria apreciação, bem como daqueles que lhes são semelhantes. De fato, as maiorias dos leitores são meros repositórios de fatos ou afirmações feitas por outras pessoas. Mas isto não é estudo. O estudante deve ler os fatos visando criar e não com o objetivo de retenção infrutífera. Os estudantes, como satélites, devem refletir qualquer luz que tenham recebido dos autores, e não aprisionar os fatos e pensamentos assim como os magistrados aprisiona os criminosos na cadeia!
O pensamento é progressivo. O pensamento do autor deve progredir no pensamento do leitor na forma de correção ou desenvolvimento. O melhor crítico é aquele que pode mostrar o desenvolvimento subseqüente de um velho pensamento, mas o mero denunciador é inimigo do progresso e conseqüentemente da natureza. “Comece de novo” diz o crítico, porque este material antigo não responde no presente. Deixe que o velho autor seja cremado, pois seu tempo já passou. Estas são as expressões superficiais. Progresso certamente é a lei da natureza e com certeza deve haver correções e desenvolvimento no decorrer do tempo. Mas progresso também significa ir adiante ou elevar-se cada vez mais.
   Agora, se seguimos nosso crítico tolo, seremos obrigados a voltar ao nosso antigo terminal e começar uma nova corrida e depois que corrermos a metade do caminho, outro crítico do seu celeiro lamentará: “Comece de novo, porque pegamos a estrada errada!” Assim nosso estúpido crítico nunca nos permitirá ir adiante por todo o caminho e ver o que há no próximo terminal. Assim pois, o crítico superficial e o leitor infrutífero são dois grandes inimigos do progresso. Devemos nos esquivar deles.                                                                                                                             O verdadeiro e bom crítico por outro lado, aconselha-nos a manter aquilo que já obtivemos e ajustar o ângulo da nossa marcha a partir do ponto de onde chegamos. Ele nunca nos aconselhará a voltar ao ponto de onde começamos uma vez que neste caso haveria uma perda infrutífera do nosso precioso tempo e trabalho. Ele orientará o ajuste do ângulo da nossa marcha a partir do ponto onde estamos. Esta também é a característica do estudante útil. Ele lerá um velho autor e encontrará sua posição exata no progresso do pensamento. Ele nunca nos aconselhará a queimar um livro sob alegação de que possui pensamentos inúteis. Nenhum pensamento é inútil. Os pensamentos são meios pelos quais alcançamos nossos objetivos. O leitor que denuncia um mal pensamento não sabe que até mesmo uma má estrada é capaz de melhorar e desembocar em uma boa. Um pensamento é uma estrada que leva a outra. Assim, o leitor observará que um pensamento que está em pauta hoje, será o meio de um objeto subseqüente amanhã. Os pensamentos necessariamente continuarão a ser uma interminável série de meios e objetos no progresso da humanidade. Os grandes reformadores sempre afirmaram que vieram não para destruir a antiga lei, mas para cumpri-la. Valmiki, Vyasa, Platão, Jesus Cristo, Maomé, Confúcio e Chaitanya Mahaprabhu afirmam este fato expressamente ou por suas próprias condutas.
   O Bhagavat assim como todas as obras religiosas e escritos filosóficos dos grandes homens tem sofrido a imprudente conduta dos leitores inúteis e dos críticos estúpidos. O Bhagavat tem sofrido com estas críticas superficiais, tanto na Índia quanto no ocidente. Nós mesmos somos testemunha deste fato. Quando estávamos no colégio lendo os trabalhos filosóficos ocidentais e trocando idéias com os pensadores daquele tempo, nós começamos a ter ódio do Bhagavat. A grande obra literária nos parecia um repositório de idéias dificilmente adaptável para o século 19 e odiávamos escutar qualquer opinião a seu favor. Para nós, um volume de Channing, Parker, Emerson ou Newmen tinha muito mais importância do que todos os milhares de livros Vaishnavas. Estudávamos com entusiasmo a Santa Bíblia e os escritos de Tattva-Bodhini Sabha, que continha partes dos Upanisads e do Vedanta, mas nenhum livro Vaishnava despertava nosso interesse. Mas quando avançamos em idade e nosso sentimento religioso se desenvolveu, nós nos juntamos de maneira unitária em nossas crenças e oramos assim como Jesus orou no jardim. Acidentalmente (ou conseqüentemente) nos deparamos com os escritos do Grande Chaitanya-dev e lendo isto com atenção para saber qual era a histórica posição daquele poderoso gênio de Nadiya, tivemos a oportunidade de estudar seus comentários do Bhagavat que foi dado aos Vedantistas da escola de Benares. O acidental estudo despertou nosso amor por todos os escritos que podíamos encontrar sobre o nosso Salvador oriental. Os comentários que encontramos do Bhagavat eram de um caráter tão charmoso que procuramos uma cópia completa Dele e então o estudamos completamente com a assistência dos famosos comentários de Sridhar Swami. Foi deste estudo que extraímos o entendimento da real doutrina dos Vaishnavas. Oh! Como foi custoso nos desvencilhar dos empecilhos acumulados naqueles anos infrutíferos!
   Até onde podemos entender, nenhum inimigo do Vaishnavismo encontrará qualquer beleza no Bhagavat. O verdadeiro crítico é um julgador generoso, desprovido de pensamentos prejudiciais e espírito partidário. Alguém que é um fervoroso seguidor de Maomé, vai certamente pensar que as doutrinas do novo testamento são uma farsa concedida pelo anjo caído. Um Cristão trinitário por outro lado denunciará os ensinamentos de Maomé como provindo de um reformador ambicioso. A simples razão disto é que o crítico deve ter a mesma disposição mental do autor cujo mérito é requisitado para julgar. Pensamentos possuem diferentes caminhos. Uma pessoa que é treinada nos pensamentos da Sociedade Unitária ou do Vedanta da escola de Benares, vai muito raramente encontrar piedade na fé dos Vaishnavas. Um Vaishnava ignorante por outro lado, cujo negócio é apenas mendigar de porta em porta em nome de Nityananda, não encontrará nenhuma piedade em um Cristão. Isto acontece porque o Vaishnava não pensa da maneira que o Cristão pensa em sua própria religião. Pode ser que o Cristão e o Vaishnava pronunciarão o mesmo sentimento, mas eles nunca cessarão suas brigas um com o outro apenas porque eles chegaram a suas conclusões através de diferentes linhas de pensamentos. Assim uma grande porção de ingenerosidade entra nos argumentos dos piedosos Cristãos quando estabelecem suas imperfeitas opiniões sobre a religião dos Vaishnavas. Qual exemplo poderia ser melhor do que o fato de que o grande filósofo de Benares não encontra nenhuma verdade na universal irmandade do homem e na comum paternidade de Deus? O filósofo, seguindo sua própria forma de pensar nunca poderá ver a beleza da fé Cristã. A maneira que Jesus Cristo pensou em seu próprio Pai era amor absoluto e enquanto o filósofo não adotar esta maneira de pensar ele será sempre deprivado da fé absoluta pregada pelo Salvador do Ocidente. De forma similar, um Cristão precisa adotar a maneira de pensar na qual o Vedantista se baseia antes que ele possa amar as conclusões do filósofo. O crítico deve então ter uma compreensiva, boa, generosa, imparcial e simpática alma.
   “Que tipo de coisa é essa ‘O Bhagavat’?”, pergunta o cavalheiro europeu que recentemente chegou à Índia. Seu amigo lhe diz com um olhar sereno que o Bhagavat é um livro, o qual seu amigo de Orissa recita diariamente à noite para alguns ouvintes. Isto é composto de gírias não-inteligentes e uma literatura primitiva daqueles homens que pintam seus narizes com um pouco de barro ou sândalo e colocam colares de contas ao redor do pescoço procurando salvação para si mesmo. Um outro amigo que viajou um pouco pelo interior, iria imediatamente contradizê-lo e diria que o Bhagavat é uma obra escrita em Sânscrito que é clamada por uma classe de homens- os Goswamis, que outorgam mantras ao povo comum da Bengala assim como o papa faz na Itália, e perdoa seus pecados sob o pagamento em forma de ouro para manter suas despesas sociais. Um terceiro cavalheiro repetirá uma terceira explicação. Um jovem Bengali educado nos pensamentos e idéias inglesas e completamente ignorante sobre a história Pré-Muçulmana do seu próprio país, irá adicionar uma outra explicação dizendo que o Bhagavat é um livro composto pela história da vida de Krishna, que era um homem imoral e ambicioso! Isto é tudo que ele pôde aprender da sua avó nos tempos em que ainda não ia á escola! Assim, o grandioso Bhagavat permanece sempre desconhecido dos estrangeiros assim como o elefante cego de seis anos que firmemente agarra várias partes do corpo da sua presa. Porém a Verdade é eterna e nunca pode ser manchada, a não ser por enquanto, pela ignorância